quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Projetos AI

Já na UFMG, um trabalho que gostaria de colocar aqui é o da disciplina projetos AI.
Essa disciplina tem como objetivo aumentar o repertório de cada aluno, e incentivar a pesquisa.
Eu escolhi o tema "Colunas Femininas dos anos 50 e 60", porque achei que tais colunas são bem marcantes e diferentes das colunas atuais, já que elas representam o pensamento da época.
Escolhi duas colunas para exemplificar como era essa produção.

O dever da faceirice

Algumas mulheres, felizmente poucas, relegam a faceirice a um plano secundário, explicando esse desinteresse como “superioridade intelectual”. Nada mais falso. A mulher moderna sabe que, apesar da evolução das ciências e das artes, o homem continua o mesmo, e o principal atrativo que encontra na mulher é a sua aparência física. Julgar que porque se casou com ele está dispensada de seduzi-lo é outro grave erro. O homem é volúvel. Sua busca da “mulher ideal” é apenas a forma romântica com que encobre essa volubilidade e geralmente, envelhecem sem descobrir realmente o que querem da mulher. Só sabem que a querem. Sempre bonita e renovada, se possível.

Um rosto bonito, uma figura elegante sempre exercem grande poder sobre eles. A mulher que ama a um deles tem de fazer tudo para prendê-lo, portanto, e esse tudo é a sedução diária e constante. Eu sei, minha amiga! É cansativo isso, e um pouco tolo, mas que se há de fazer?(...)

A faceirice é, portanto, obrigação para a mulher. Nem a mulher de negócios, nem a cientista, nem a mulher de letras, nem a esportista dispensam esse dever primordial para a conquista do homem. Afinal, podemos pensar deles o que quisermos, mas precisamos deles para completar a nossa felicidade, não é mesmo? Façamos, portanto, por conquistá-los.

(Clarice Lispector, Correio da Manhã, 23 de dezembro de 1959)


Teste de Bom Senso

Suponhamos que você venha a saber que seu marido a engana, mas tudo não passa de uma aventura banal, como há tantas na vida dos homens. Que faria você?

  1. Uma violenta cena de ciúmes?
  2. Fingiria ignorar tudo e esmerar-se-ia no cuidado pessoal para atraí-lo?
  3. Deixaria a casa imediatamente?

Resposta

} A primeira resposta revela um temperamento incontrolado e com isso se arrisca a perder o marido, que, após uma dessas pequenas infidelidades, volta mais carinhoso e com um certo remorso.

} A segunda resposta é a mais acertada. Com isso atrairia novamente seu marido e tudo de solucionaria inteligentemente.

} A terceira resposta é a mais insensata. Qual mulher inteligente que deixa o marido só porque sabe de uma infidelidade? O temperamento poligâmico do homem é uma verdade; portanto, é inútil combatê-lo. Trata-se de um fato biológico que para ele não tem importância.

(Jornal das Moças, 17 de abril de 1952)

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